Unidades Curriculares

2022/2023

História e Teoria da Antropologia
Coordenadores: José Manuel Sobral e Nuno Domingos
(1.º ano, 1.º semestre; 20 horas de aula, 140 horas de trabalho individual, 5 créditos ECTS)
O quadro temporal que circunscreve esta unidade não permite proporcionar uma visão genérica da história da disciplina. Optou-se, por isso, por oferecer um contacto com alguns dos autores mais relevantes na teoria antropológica contemporânea e que ilustram o seu pluralismo, abordando alguns temas da sua pesquisa como a família e a reprodução social, a prática, a construção social do corpo, o poder, a dominação e a resistência, a classe, o género, a etnicidade, a globalização, as desigualdades e o risco. A importância dada à articulação entre teoria, etnografia e história é um elemento comum a todos.

Metodologias da Investigação Etnográfica
Coordenadores: Fátima Amante e João de Pina Cabral
(1.º ano, 1.º semestre; 20 horas de aula, 140 horas de trabalho individual, 5 créditos ECTS)
Nesta unidade curricular os estudantes adquirem as competências necessárias para planificar e desenvolver o seu projecto de investigação, o trabalho de campo e/ou investigação documental e a redacção de uma etnografia antropológica. O programa está organizado em dois grandes momentos: o período de preparação e execução do trabalho de investigação empírica e o período da análise do material e redação da etnografia. Esta organização tem por objetivo levar os estudantes a identificar com clareza as diferentes questões metodológicas colocadas ao longo do processo de produção de conhecimento antropológico. O trabalho dos estudantes consolida-se na leitura e análise de uma monografia a partir da qual irão reflectir sobre várias temáticas abordadas ao longo do curso, tais como as questões éticas na investigação antropológica, a relação dos antropólogos com os seus interlocutores, as emoções em campo, as diferentes fontes de material recolhido em campo ou no arquivo e como elas moldam a etnografia, as escalas e a comparação na análise etnográfica.

Territorialidades e Regeneração na Contemporaneidade
Coordenadoras: Susana de Matos Viegas e Simone Frangella
(1.º ano, 2.º semestre; 20 horas de aula, 140 horas de trabalho individual, 5 créditos ECTS)
A condição contemporânea congrega a imposição hegemónica de experiências territoriais que envolvem expulsões, extinção e ruína. A regeneração da vida no sentido da multiplicidade e da diversidade opõe-se, em tensão, a esta imposição. Nesta cadeira propomos pensar fenómenos aparentemente díspares, através de conexões ligadas por essa dupla perspetiva da ruína e da ressurgência: entre incêndios florestais, a destruição de bairros urbanos para edificação de complexos turísticos, a reconstrução de múltiplas vidas em paisagens em ruína, como a luta pelos realojamentos, ou lugares de pertença indígena e de projetos de vida contrários à homogeneização. Entre outros, iremos ler Anna Tsing (2019) sobre ruínas e ressurgências, Bruno Latour (2017) sobre uma revisão radical da visão da natureza com Gaia, Ghassan Hage (2017) sobre técnicas antropogénicas de “domesticação generalizada” que conectam a marginalização racial com a expulsão territorial, Deborah Bird Rose (2022) sobre a diversidade como motor da contra-hegemonia e outros textos sobre vozes vegetais, convivialidades e línguas nas vidas na margem, e ainda Sahlins (2022) sobre uma antropologia virada para o estudo do “universo encantado”. Queremos aproximar problemáticas vividas nas territorialidades de bairros periféricos em grandes cidades, nas chamadas zonas de sacrifício, e nas emergências nesses lugares de persistentes diversidades na luta pela vida.

Leituras Antropológicas de Dádiva, Dinheiro e Dívida
Coordenadoras: Irene Rodrigues e Giulia Cavallo
(1.º ano, 2.º semestre; 20 horas de aula, 140 horas de trabalho individual, 5 créditos ECTS)
Esta UC propõe uma leitura crítica, tanto teórica quanto etnográfica, dos temas da dádiva e da dívida, e do dinheiro, para refletir sobre a economia contemporânea global e o seu impacto cultural e social. A noção de dádiva permite discutir a dívida como sua contraparte, tanto nas relações sociais de maior proximidade, quanto no sistema financeiro contemporâneo e no sistema de ajuda internacional, ampliando a discussão para a própria noção de dinheiro. Através de trabalhos etnográficos e de reflexões antropológicas mais sistémicas pretendemos refletir sobre estes processos contínuos de produção de desigualdade e de dependência, fornecendo ferramentas de leitura crítica de processos económicos contemporâneos.
No final desta UC, os estudantes devem ser capazes de (1) conhecer os desenvolvimentos conceptuais e teóricos contemporâneos da teoria da dádiva na antropologia; (2) discutir o tema da dádiva e da dívida no âmbito das relações e vínculos éticos e morais relacionados com a circulação de coisas, incluindo o dinheiro, em redes de relações sociais; e (3) refletir sobre a indústria do desenvolvimento a partir da ideia de dádiva como forma de estabelecimento de vínculos morais, reciprocidades e hierarquias entre dadores e recetores.

Seminário de Investigação em Antropologia
Coordenadoras no 1.º semestre: Ana Sousa Santos, Inês Ponte, Maria José Lobo Antunes e Tânia Ganito
Coordenadores no 2.º semestre: Amanda Guerreiro, Cecilia Veracini, João Afonso Baptista e João Vasconcelos
(20 horas de seminário, 140 horas de trabalho individual e 5 créditos ECTS por semestre, durante os quatro anos do curso)
O Seminário de Investigação em Antropologia constitui uma actividade permanente destinada à discussão em grupo de projetos de investigação, resultados preliminares de pesquisa e capítulos de tese dos doutorandos dos quatro anos do curso, com o objetivo de desenvolver o seu espírito crítico e as suas capacidades de argumentação escrita e oral e de consolidar hábitos de debate científico.

Projecto de Investigação em Antropologia I e II
(1.º ano, 1.º e 2.º semestres; 20 horas de orientação tutorial, 280 horas de trabalho individual e 10 créditos ECTS por semestre)
Trata-se de uma unidade curricular de orientação tutorial que decorre no primeiro ano do curso, durante a qual o doutorando recebe acompanhamento individual na construção e consolidação do seu projecto de investigação. A aprovação do projecto de investigação doutoral no final do primeiro ano é condição necessária para que o aluno prossiga o curso de doutoramento.

Seminário de Estudos Pós-Graduados
Coordenadora do SEPG de Antropologia: Sofia Sampaio
O Seminário de Estudos Pós-Graduados decorre ao longo do ano lectivo e dirige-se prioritariamente aos estudantes dos vários programas de doutoramento do ICS. Integra quatro seminários disciplinares (Antropologia, Ciência Política, História e Psicologia Social) que se sucedem semanalmente de forma rotativa. As sessões do seminário duram duas horas e consistem numa palestra a cargo de conferencista convidado, seguida de discussão aberta a todos os participantes.